Territórios de Vivência

Define-se os Territórios de Vivência a partir do conceito de Dirce Koga(1) segundo o qual o território se configura como um elemento relacional na dinâmica do cotidiano de vida das populações e, consequentemente, é central para a definição de políticas sociais.

Dessa forma, o Território de Vivência é a área envoltória à Praça, na qual se estabelecem as redes socioculturais e o cotidiano de vida da comunidade. Os atores e agentes ali presentes são ao mesmo tempo demandantes e produtores de serviços e bens socioculturais no equipamentos. Trata-se do território de integração das políticas públicas para melhoria das condições de vida e desenvolvimento econômico e social. Entende-se que este raio tem, em média, 50km em relação ao CEU, com grandes variações, pois há Praças que influenciam municípios vizinhos, outras que atraem população de outros bairros e outras que restringem sua atuação ao bairro do entorno, geralmente mais denso e populoso.

Tecnologia social de Mapeamento e Ativação dos Territórios de Vivência

Tendo em vista a mobilização social e o fortalecimento das redes de atores locais foi desenvolvido, em 2014, um conjunto de ações pela Coordenação Geral de Gestão da Diretoria de Infraestrutura Cultural (hoje Coordenação Geral de Gestão de Equipamentos da SEINFRA) das quais destaca-se a elaboração e implementação experimental da tecnologia social de Mapeamento e Ativação dos Territórios de Vivência. Naquele momento havia poucos equipamentos inaugurados, o que possibilitou a realização da experiência aqui documentada.

O Mapeamento dos Territórios de Vivência é uma ferramenta inicial para mobilização social e promoção da sustentabilidade das Praças, por meio da articulação dos agentes socioculturais mapeados. Parte-se da identificação (e, se possível, do georreferenciamento) de atores, em diversos temas, gerando-se uma lista de contatos que pode ser ativada em encontros no território – oficinas no cineteatro das Praças, por exemplo. A etapa de mapeamento deve, portanto, preceder o início das oficinas da Meta de Mobilização Social e Planejamento da Gestão e ser constantemente atualizada, com inserção dos dados no ePraças.

A metodologia desenvolvida em 2014, aqui apresentada como referência aos municípios, baseia-se no cruzamento de dados de diversas fontes oficiais (Ministérios da Educação, Cultura, Saúde, Cidades, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, IBGE, entre outros), e de informações colhidas diretamente nos municípios para identificar pessoas, grupos, Pontos de Cultura, instituições e entidades que desenvolvem ações comunitárias, sociais e/ou culturais que possam contribuir para a ocupação e a sustentabilidade das Praças.

Os mapeamentos dos territórios de vivência são um retrato inicial e momentâneo do tecido social daquela comunidade, que deve ser apropriado e constantemente atualizado pela própria comunidade, Grupo Gestor e Coordenador-Geral da Praça. Por meio dos mapas se alcança a compreensão dos arranjos e redes locais, potencializando-se o planejamento da gestão e a definição das atividades que serão promovidas nos espaços.

Pretende-se assim qualificar a gestão, o uso e a programação dos equipamentos, contando com a expertise da própria comunidade e dos órgãos locais, que devem protagonizar o processo de ocupação, pois são esses os atores que conhecem, de fato, o território, podendo promover a melhor utilização dos espaços.

Após a realização da série de mapeamentos em 2014, foram realizadas as Ativações locais, que compreenderam dois dias no território, incluindo conversas com lideranças e gestores, reunião com o Grupo Gestor, gestores e comunidades, e uma oficina ampliada com participação da população. Nesta oficina os mapas iniciais foram complementados e corrigidos pela comunidade. A experiência contribuiu para que gestores e comunidades eles se apropriassem das técnicas e metodologias de mapeamento e de planejamento, divulgação, realização e sistematização das ações de mobilização social, tornando-se multiplicadores do processo.

Nota:

(1) KOGA, D.; ALVES, V. A. A Interlocução do Território na Agenda das Políticas Sociais. Revista Serviço Social & Saúde. UNICAMP Campinas, v. IX, n. 9, Jul. 2010.