Economia Solidária nas Praças CEUs

Em busca da sustentabilidade do equipamento e da geração de trabalho e renda para a comunidade, as Praças CEUs abrem para a Economia Solidária, fortalecendo empreendimentos e oportunidades de negócios colaborativos.

A maneira de produzir, vender, comprar e trocar na Economia Solidária é diferente da economia convencional, pois nela não existe a separação entre os donos do negócio e os empregados, ou seja, na economia solidária os donos são os próprios trabalhadores. Em relação à organização, os produtores da Economia Solidária podem estar organizados de diversas formas: associações; cooperativas; redes de produção, comercialização e consumo; bancos comunitários; ou clubes de trocas, dentre outras.

Ao invés de competir, na Economia Solidária todos trabalham de forma colaborativa, buscando os interesses e objetivos em comum, com a união dos esforços e capacidades, a propriedade coletiva e a partilha dos resultados. Este é o princípio da cooperação. Outros princípios são: a autogestão, com as decisões sendo tomadas de forma coletiva; a ação econômica ou motivação econômica das iniciativas, como a produção, comercialização, prestação de serviços, trocas, crédito e consumo; e a solidariedade, pois a preocupação com o outro está presente de várias formas, como na distribuição justa dos resultados alcançados, na preocupação com o bem-estar de todos os envolvidos, nas relações com a comunidade, na atuação em movimentos sociais e populares, e na busca de um meio ambiente saudável e de um desenvolvimento sustentável.

Economia Solidária nas Praças CEUs

A Feira Gastroarte da Praça CEU Camila Rossafa de Osasco, São Paulo, realizada aos finais de semana, tem como objetivo incentivar os moradores da comunidade do entorno a expor e comercializar seus produtos artesanais. São artigos muito variados, que vão do tricô e crochê à fabricação de vidro e à pintura em tela, dividindo espaço com produtos alimentícios como bolos, doces e salgados, incluindo o tradicional pastel paulista. Os expositores foram selecionados por meio de edital público, mas também participam da feira alunas dos cursos de artesanato promovidos pelo CEU. Em 2017, todos tiveram a oportunidade de fazer também um curso de empreendedorismo realizado em parceria com o Sebrae. De acordo com Gilma Ramos, responsável pela articulação comunitária da Praça CEU, a Feira está permitindo à comunidade conhecer a experiência da economia solidária: “os artesãos, na maioria mulheres, ainda enfrentam muitas dificuldades para vender seus produtos, mas estão aprendendo o caminho da organização associativa”.

Na Praça CEU de Esteio, Rio Grande do Sul, as oficinas de artesanato também têm proporcionado geração de renda aos participantes. Com foco na preservação ambiental, são produzidos objetos a partir da reutilização de embalagens, garrafas PET, CDs, caixas de leite e outros materiais recicláveis, que são vendidos na Feira das Mil e Uma Utilidades promovida mensalmente. Outra oficina promovida na Praça CEU é a de trabalho com tecidos. De acordo com a Coordenadora da Praça, Iara Pacheco, uma senhora que tem muita habilidade está ensinando as demais, numa oficina que dá espaço às ideias de todas, de modo que estão sendo incorporadas inovações, resultando em produtos de muita qualidade. “A produção de sacolas jeans está ótima e tem muita saída” comenta Iara, que completa: “A Praça transformou a comunidade, que foi formada a partir de um reassentamento. Temos alcançado grandes avanços, especialmente na questão do cuidado com o meio ambiente e nossa meta para 2018 é unir os esforços da comunidade num único tipo de produto, para mais tarde pensar numa cooperativa”.

Em todo evento ou festividade promovido na Praça CEU de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, é possível encontrar uma banca onde são vendidos biscoitos típicos da região. Eles são fabricados por uma Fábrica Solidária fundada por alunas do Projeto Rede do Bem, da Secretaria Municipal de Assistência Social, para a inclusão produtiva do público do Cadastro Único – Programa Bolsa Família, entre outros. Foram formadas 70 mulheres, muitas delas da comunidade onde está situada a Praça CEU, que tiveram aulas de nutrição – parceria com a Secretaria de Saúde –, economia solidária e empreendedorismo – parceria com o Sebrae. A Fábrica Solidária de Biscoitos foi fundada por 20 dessas mulheres, e funciona de forma independente, já tendo selo e embalagem próprios.

Como participar da Economia Solidária?

Para participar da Economia Solidária, é possível associar-se a um empreendimento já existente, pois eles existem no Brasil inteiro, nas mais diversas áreas de atuação. Para conhecê-los, basta consultar o Cadastro Nacional de Empreendimentos Econômicos Solidários – CADSOL:

http://cadsol.mte.gov.br/inter/cadsol/main.seam.

Para formar um novo empreendimento econômico solidário, pode-se recorrer a organizações e entidades de apoio e fomento à economia solidária, como os Centros Públicos de Economia Solidária, os Fóruns e Conselhos de Economia Solidária, Incubadoras de Economia Solidária, ou órgãos governamentais como a seção/núcleo de Economia Solidária na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da capital do seu estado (veja os contatos em: http://trabalho.gov.br/images/Documentos/EconomiaSolidaria/NucleoseSecoes.pdf). Para conhecer mais sobre o tema e os empreendimentos já existentes, existem redes e fóruns estaduais e municipais da Economia Solidária, redes de apoio, e também uma rede social da Economia Solidária: cirandas.net.

Diversos órgãos governamentais atuam no fomento à Economia Solidária, nos três níveis: federal, estadual e municipal. No nível federal, a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) do Ministério do Trabalho é o órgão incumbido de viabilizar e coordenar atividades de apoio à Economia Solidária. A SENAES também está presente nas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego, contando com núcleos e seções de economia solidária na grande maioria dos estados brasileiros.

Nos governos estaduais e municipais, a Economia Solidária está presente em órgãos governamentais de praticamente todos os estados brasileiros e em vários municípios. Quando não possuem Economia Solidária no nome, são órgãos relacionados a trabalho, geração de renda, desenvolvimento, empreendedorismo, assistência social e pequenas empresas. Consulte o site do seu estado e da sua prefeitura e busque pelo tema.